Gestores muitas vezes demonstram insatisfação com colaboradores que mantém o mesmo comportamento depois de participar de atividades de desenvolvimento, seja através de treinamento ou de qualquer tipo de aprendizagem. Nestas situações, é comum olhar com desconfiança para os métodos de desenvolvimento utilizados ou rotular os colaboradores como resistentes às mudanças, desinteressados etc.
Acho que esta desconfiança pode se justificar para os dois casos, porém me parece que as metodologias de aprendizagem utilizadas nos processos de desenvolvimento nas empresas não têm conseguido demonstrar significado para as pessoas envolvidas, e isso pode provocar um desinteresse nos participantes destes processos.
O que normalmente se vê em processos de desenvolvimento nas empresas são justificativas que só vêm beneficiá-las e os colaboradores consideram que seu envolvimento é necessário para manter seu emprego. Muitas vezes isso pode ser verdade, mas em outras tantas, os processos são bem intencionados, mas mal elaborados e conduzidos.
Sem “penetrar” no mundo afetivo, os métodos de aprendizagem dificilmente conseguirão sucesso em provocar mudanças no comportamento das pessoas.
Como diz Maria Alicia Romaña, “a afetividade não é só um sentimento ou emoção intensos, é uma expressão das forças básicas que norteiam o comportamento. Os impulsos mais profundos que mobilizam o comportamento surgem dessas forças.”
O mundo afetivo é composto por sentimentos, emoções (medo, raiva, alegria, ansiedade etc ); por interesses (esportes, religião, cinema etc) que supera em nós a instabilidade de nossos sentimentos quando sentimos satisfação em atender alguns interesses verdadeiros. As pessoas podem se ligar através de interesses comuns apesar de sentimentos diversos.
Outro tipo de manifestação, mais permanente que os interesses são as necessidades (aceitação, sobrevivência, segurança etc). Estas acrescentam aos dois níveis anteriores um aspecto de maior estabilidade e permanência nas suas manifestações.
Um nível mais profundo que os anteriores são as preocupações básicas. A preocupação pela identidade, pelo controle ou poder e a preocupação pelo relacionamento ou vinculação, que nos acompanham por toda a vida, manifestando-se, às vezes, simultânea e sucessivamente.
Se fixarmos nossa atenção apenas nos sentimentos, mesmo tendo uma visão de toda a sua riqueza e variedade, não saberemos a origem das forças que os determinaram. Somente um reconhecimento dos interesses, necessidades e preocupações de cada pessoa ou de um grupo nos aproximará do seu verdadeiro universo afetivo.
E é isso que está faltando em muitas das metodologias de aprendizagem utilizadas pelas empresas, para torná-las significativas e resultar em mudança de comportamento.
O desafio é relacionar aprendizagem a aspectos afetivos em cenários onde a afetividade está cada vez mais escassa.
“Você não pode ensinar nada a um homem, você pode apenas ajudá-lo a encontrar a resposta dentro dele mesmo”. Galileu Galilei
Abelardo Gonçalves
Criação de